ELES NÃO SENTEM DOR


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22.05.2017, 10:43

MAS A ANALGESIA CONGÊNITA É PERIGOSA


Os estudos dos mecanismos da síndrome da falta de sensibilidade à dor poderiam abrir caminhos para o aperfeiçoamento de novos analgésicos. Mas a dor é um sinal de alerta que protégé o nosso organismo. Não sentir dor pode representar um sério risco.



Por: Anne Lefèvre-Balleydier - Le Figaro Santé

A falta de sensibilidade à dor seria uma benção? Muito pelo contrário! A dor é um sinal de alerta que protege o nosso organismo. No caso de ausência ou diminuição da sensação de dor, os gestos mais simples do cotidiano podem acarretar lesões que se não forem rapidamente detectadas podem se tornar mais graves. O indivíduo que não retira a mão da chama, que suporta sem reclamar golpes fortíssimos e não os trata. Em crianças, é geralmente a presença de queimaduras, feridas, hematomas ou fraturas, sem haver queixas, que orientam o médico para um diagnóstico da assim chamada síndrome da analgesia congênita. Os bebês também apresentam com frequência marcas de automutilação involuntária: mordidas nos dedos, no interior da boca e na língua, as vezes feridas decorrentes de arranhões repetidos no nariz e ao redor dos olhos.
Como explica Nicolas Danziger, neurologista no hospital da Pitié-Salpêtrière em Paris, “nessas formas de revelação precoce, os traumatismos graves e as automutilações desaparecem em alguns anos”, mais especificamente, quando a criança é grande o suficiente para entender quais os gestos que a colocam em perigo e aprende a desconfiar das situações de risco (frio, quente, choques, etc).  Mais raramente, pode ocorrer também  que a insensibilidade congênita à dor seja descoberta somente na adolescência ou em idade adulta, muitas vezes de forma acidental, quando uma fratura não produz nenhuma dor, por exemplo.
Anomalias genéticas
As origens dessa doença estranha ficaram por muito tempo sem explicação. Foram necessários progressos da neuropsicologia e da biologia molecular para relacionar a falta de sensibilidade à dor com anomalias genéticas que modificam o funcionamento das fibras sensíveis e mais finas dos nervos. Ademais, sabemos que certas formas de analgesia congênita causam perda de sensibilidade tátil e da noção da posição dos membros. Em outros casos, observa-se uma alteração geral do sistema nervoso autônomo levando à ausência de lágrimas, crises de febre inexplicáveis, transpiração deficiente ou excessiva, etc.
De fato, genes diferentes foram associados a diferentes formas de analgesia. Assim, em uma das ocorrências mais raras, a causa é a mutação de um gene, que permite a diminuição do fator de crescimento, indispensável ao desenvolvimento das fibras da dor. Essa mutação acarreta uma analgesia grave, acompanhada às vezes por uma situação de atraso mental.
Mais recentemente, uma equipe alemã detectou outra mutação genética na origem de uma disfunção dos canais iônicos permeáveis ao sódio: os estímulos dolorosos não provocam um influxo nervoso nas fibras da dor. Isso é o bastante para suscitar novos caminhos de pesquisa, tanto para entender a analgesia quanto para aliviar dores rebeldes.  É assim que vários laboratórios estão tentando produzir analgésicos capazes de agir sobre os canais iônicos.


http://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/296953/Eles-n%C3%A3o-sentem-dor-Mas-a-analgesia-cong%C3%AAnita-%C3%A9-perigosa.htm

SER PAI, SER MÃE


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14.02.2017, 23:31

UM OFÍCIO QUE SE APRENDE

Os cursos que ensinam a arte de ser pai e de ser mãe se multiplicam na França e em vários outros países da Europa. O objetivo é ajudar os pais que se encontram em dificuldade para educar e se relacionar com seus filhos – um problema cada vez mais sério e generalizado no Velho Continente.



Por: Romain David – Le Figaro Santé

Ao mesmo tempo em que, na França, a ex-ministra da Família, Dominique Bertinotti, faz campanha para proibir as palmadas como “instrumento de educação”, os cursos que ensinam as pessoas a como ser pai e mãe se multiplicaram na Franca – e em vários outros lugares da Europa – nos últimos dez anos. A tendência acompanha um movimento que começou no Reino Unido nos anos 1980. O público lota as salas de aula. Segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos, realizada em 2011, 75% dos franceses estimam que educar uma criança é uma empreitada  difícil e 67% dos pais interrogados afirmam não ter mais autoridades sobre os filhos.
Quanto aos recursos de apoio à parentalidade, a “Disciplina Positiva” é a última palavra em termos de abordagem. Criada na América, ela preconiza “educar com firmeza e solicitude”. Elaborada por duas norte-americanas especializadas no desenvolvimento da criança, esse método refuta as iniciativas “permissivas” e “punitivas”. Partindo do princípio que uma criança que se comporta mal é uma criança desencorajada, ela coloca a motivação no centro das suas preocupações.
Na França, uma associação de Disciplina Positiva foi criada em 2012 por iniciativa de Béatrice Sabaté, uma psicóloga clínica que trabalhou nos Estados Unidos e lá recebeu a sua formação. Ela tem animado seminários sobre a matéria em mais de vinte instituições da França, e também na Suíça, Marrocos, Bélgica, Canadá e Estados Unidos. Trata-se de uma série de atividades de grupo, “lúdicas e interativas”, durante as quais os pais tomam conhecimento e experimentam ferramentas pedagógicas para gerir situações de crise, ou simplesmente do dia-a-dia familiar. “Convidamos os pais a mudar sua visão a respeito da autoridade, a cooperar com seus filhos através de uma relação horizontal muito mais que através de uma relação vertical regida pelas regras da cultura vigente”, explica Béatrice Sabaté.
Palmadas e cintadas
“Nossos pais não refletiam sobre o seu modo de agir. Eu fui educada com palmadas e cintadas. Isso arruína uma criança. Eu procurei arruinar o menos possível os  meus filhos. Não gritar, não dar tapas”, nos dizia Alice, de 42 anos, aluna de um desses seminários.
Para Béatrice Copper-Royer, psicóloga especializada em crianças e adolescentes, autora de várias obras sobre o assunto, as dificuldades encontradas por um pai ou uma mãe na sua relação com os filhos são muitas vezes reveladoras dos problemas que  eles enfrentaram na sua própria infância, e disso surge a importância de “re-situar uma história familiar”. As sessões de grupo corriam o risco de “amordaçar” os percursos individuais, para cair na “receita já pronta”. Béatrice Sabaté proibiu essa possibilidade, insistindo sobre o fato de que a Disciplina Positiva convida cada pai e mãe a desenvolver o seu próprio esquema educativo: “Não somos especialistas fornecedores de regras para tudo e todos. Somos antes de tudo co-construtores e sempre em busca de pontos de referência educativos”.
Parentalidade, desafio político ou novo mercado?
Certos países ocidentais, como os Estados Unidos ou a Dinamarca, fizeram da questão da parentalidade um desafio da saúde pública, estimando que as dificuldades atuais dos pais e mães na criação de seus filhos podem ser a origem de vários problemas sociais, tais como o fracasso escolar, os comportamentos de risco e a criminalidade.
A França ainda não chegou a esse ponto. Em setembro de 2012 a então ministra Dominique Bertinotti recebeu das mãos do diretor geral do Centro de Análises Estratégicas um relatório intitulado “Ajudar os pais a serem pais”. O desafio: promover o bem-estar dos pais e o bom-futuro dos filhos. “É legítimo que todos os pais possam encontrar um apoio no caso de dificuldades sérias”, declarou a então ministra. Mas as aplicações concretas desse projeto ainda não surgiram.
No meio tempo, os cursos de parentalidade se multiplicaram em Paris e nas províncias.


A ERA DOS PAIS EXPERTOS

Por: Pascale Senk – Le Figaro Santé

Ao mesmo tempo em que se desenvolvem novas metodologias educacionais como é o caso da Disciplina Positiva, estudos em neurociências e em psicologia experimental inspiram aqueles que ambicionam fazer o melhor possível para seus filhos.

Qual pai, qual mãe não sonhou com a possibilidade de tudo compreender e de sempre saber como agir em relação ao ser estranho que eles mesmos geraram? Tudo isso, claro, dentro de um objetivo evidentemente benéfico, de modo a ajudá-lo a se construir no seio de um mundo cada vez mais difícil. Agora, esse sonho parental parece estar ao alcance da mão, pois toda uma “ciência da educação” se difunde em meio ao grande público: coleções de livros especializados no “parenting”, seminários e cursos de formação de Disciplina Positiva ou de “maternidade maximal”.
Claro, os “conselhos dos psicólogos aos pais” existem há mais de 50 anos. Mas agora, esses profissionais se apoiam em descobertas científicas (notadamente no setor das neurociências). Assim sendo, nos atuais seminários aprendemos coisas como o papel predominante do cérebro pré-frontal. Não é necessário, para incitar seu filho a obedecer, fazer uso de longas frases que estimularão as zonas cerebrais de interpretação da linguagem. Uma única palavra é suficiente para se atingir o patamar da decisão, o seu cérebro pré-frontal. Diga apenas “ducha”, e o adolescente irá se lavar, ou “sapatos” e ele saberá que é preciso guardá-los no armário adequado.
Armados e treinados a partir desses conhecimentos legitimados pela ciência, os pais até agora desorientados podem adquirir uma certa maestria e, dessa forma, responder mais facilmente às questões que os atormentam: é preciso comprar um Ipad para uma criança com menos de 5 anos? Qual é a hora mais conveniente de um adolescente ir para a cama?, etc.
Produtivistas
Para Guillemette Faure, jornalista que acaba de publicar uma pesquisa sobre eventuais soluções educativas (Le Meilleur pour mon enfant. La méthode des parents qui ne lisent pas les livres d'éducation, éd. Les Arènes), esse entusiasmo pelos estudos científicos entra em ressonância com os intercâmbios e trocas de informações entre pais por intermédio dos fóruns na Internet.
“As escolhas educativas que os pais devem fazer hoje em dia exigem muito mais empenho do que antes: proibir a televisão, nos anos 1960, representava apenas decidir como ocupar uma ou duas horas por semana na vida dos seus filhos. Hoje, a Internet ocupa uma boa parte da jornada diária deles”.
Ansiedade
“As receitas e conselhos só servem para canalizar a ansiedade parental”, estima Gisèle Harrus-Révidi. “Não importa qual seja a época, e sob diversas formas, pais e mães se sentem responsáveis pelo fracasso ou o sucesso de seus filhos. A culpabilidade que disso decorre e os seus diversos temores levam os adultos a prestar duas vezes mais atenção... Mas, acompanhar em excesso a criança, significa de certa forma dizer a ele, insidiosamente, que o fracasso é possível. E isso se torna via de regra uma maneira de torná-lo muito ansioso”, diz essa terapeuta.
Um outro dado inconsciente difícil de ser controlado: o fato de que os pais, tendo inconscientemente medo de serem “superados” pelo seu próprio filho, têm tendência a mantê-lo confinado no contexto do familiar e do já conhecido. “Queremos que ele tenha êxito, é claro, mas sem que se afaste em demasia das suas origens, daquilo que sua família conhece, daquilo que a família viveu”, explica Harrus-Révidi. Assim sendo, de uma maneira ou de outra, os pais não podem – e igualmente não querem – que seu filho veja o mundo a partir de um outro prisma que não seja o deles...
Guillemette Faure também confirma como a maneira pela qual eles mesmos foram educados condiciona os pais, mesmo quando eles se esforçam para se livrar desses padrões através da aquisição de novos conhecimentos.



http://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/280412/Ser-pai-ser-m%C3%A3e-Um-of%C3%ADcio-que-se-aprende.htm

PANDEMIA DE GRIPE


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17.05.2017, 06:26

ELA VEM AÍ, É PRECISO SE PREVENIR

A vacinação contra a gripe é recomendável, salienta o Prof. Bruno Lina, chefe do laboratório de virologia do Hospital Universitário de Lyon. O objetivo é evitar em todos aqueles que apresentam um risco específico, que contraem uma forma grave de infecção gripal. O outono chegou e com ele começa a temporada das gripes. Além da vacina, outras medidas simples podem lhe proteger e limitar a epidemia


Por Pauline Léna – Le Figaro Santé

A gripe é provocada por algum vírus da  família influenzae. Eles circulam no meio ambiente frequentado pelos seres humanos durante a estação do inverno e evoluem bastante por mutações frequentes que explicam as dificuldades em prever a composição da vacina. Isto faz com que seja possível pegar gripe todos os anos. A gripe provoca uma infecção respiratória cujos primeiros sintomas são: febre, fadiga, dores de cabeça e dores no corpo, semelhantes a muitas outras infecções respiratórias virais.
Modelo tridimensional do virus Influenzae, o causador da gripe.
Modelo tridimensional do virus Influenzae, o causador da gripe.
A consulta médica raramente é necessária: o organismo elimina o vírus sem tratamento, em uma a duas semanas, mas é possível tratar alguns sintomas para melhorar o conforto dos pacientes. O paracetamol reduz a febre e as dores e deve ser considerado em vez da aspirina, especialmente em crianças e adolescentes. A gripe não causa complicações na maioria dos pacientes, mas ela pode desencadear outras infecções que podem prolongar a duração da doença. Sendo assim, vale a pena consultar um médico caso a tosse persistir por mais de uma semana. Descanso e ingestão frequente de bebidas facilitam o trabalho do organismo: se recomenda ficar em casa, o que permite também limitar a transmissão  aos seus colegas de trabalho ou aos seus vizinhos no ônibus. Medidas de higiene como tossir cobrindo a boca com um lenço, lavar as mãos com frequência, usar uma máscara, evitar apertos de mãos, que visam prevenir a circulação do vírus da gripe, permitem além disso lutar contra as demais infecções bacterianas e virais, comuns no inverno.
Complicações graves
Geralmente, a gripe não tem maiores consequências para a grande maioria dos pacientes que se livram do vírus em 1 a 2 semanas. No entanto, em pessoas idosas, gestantes, diabéticos e pessoas obesas ou sofrendo de determinadas patologias, particularmente respiratórias ou imunológicas, a gripe pode levar a complicações graves e por vezes fatais, contra as quais os tratamentos antivirais de hoje fornecem apenas uma proteção limitada.
A vacina contra a gripe é recomendável, dizem os especialistas.
A vacina contra a gripe é recomendável, dizem os especialistas.
A vacinação continua sendo a melhor proteção contra este risco aumentado, sendo que a vacina não tem efeitos colaterais. «Ela foi acusada de favorecer a síndrome, mas estudos mostrado que a moléstia é bem menos frequente em pacientes vacinados contra a gripe », relembra o Prof. Lina.
Não há, portanto, nenhuma contra indicação da vacina contra a gripe, até para pacientes alérgicos a ovos, pois agora existem vacinas produzidas em cultura de células. A vacinação também é recomendada para determinadas categorias profissionais: profissionais da saúde, pessoas que trabalham em locais que acolhem pessoas com risco de gripe grave, pessoas que trabalham na indústria do turismo e das viagens, prontos-socorros, etc. Em alguns casos, a vacinação é prescrita para as pessoas que vivem próximas de pacientes em risco.
No Brasil, a vacinação é recomendada e é gratuita apenas para pacientes de risco (como os maiores de 60 anos de idade). Sua utilidade para limitar as consultas, as despesas de saúde e o custo do absenteísmo relacionados à gripe levaram muito empregadores e empresas de saúde complementar a assumir o ônus da vacinação contra a gripe.
Esses critérios no entanto mudam de país para país. Nos Estados Unidos, por exemplo, a vacinação é recomendada para qualquer pessoa com idade superior a 6 meses. Um estudo recente demonstrou que se 37 % da população em idade ativa for vacinada, a quantidade de gripes em pessoas idosas será reduzida em 20%.
Medidas de higiene
Um estudo realizado no Reino Unido demonstrou também que, ao vacinar as crianças, é possível diminuir as dimensões de uma epidemia de gripe e o número de casos em pessoas idosas. Inúmeros estudos demonstram também a importância das medidas de higiene.
Técnico de preparação da vacina antigripal.
Técnico de preparação da vacina antigripal.
No entanto, a vacinação contra a gripe não é infalível: a vacina é menos eficaz em pessoas muito idosas e ela nem sempre está inteiramente adequada à epidemia atual, pois as estirpes de vírus variam de ano para ano. Para as pessoas de risco grave que, vacinadas ou não, pegam a gripe, é agora possível utilizar um tratamento antiviral que, se tomado no prazo de 48 horas após a contaminação pode reduzir as complicações e reduzir em 1 ou 2 dias a duração da doença. Eles não apresentam nenhum interesse para a maioria dos outros pacientes, cujos sintomas raramente os levam ao médico, pois seus organismos sabem lutar eficazmente contra este tipo de infecção. Além disso, o risco de surgimento de resistências – que colocariam em causa a eficácia destes tratamentos para pacientes cujo organismo não pode lutar sozinho contra o vírus – deve levar médicos e pacientes a um uso racional dos antivirais.
Epidemia ou pandemia?
As epidemias de gripe registradas na França desde 1984 mostram entre 800 mil e 4,5 milhões de consultas  para gripe, conforme os anos: em média 2,5 milhões de pessoas seriam afetadas todos os anos. No Brasil, a epidemia normalmente começa entre os meses de maio e junho, e por isso é nessa época que acontecem as campanhas de vacinação.
Os sintomas da gripe podem ser muito desagradáveis. E, em alguns casos, quando a pessoa está muito debilitada, perigosos
Os sintomas da gripe podem ser muito desagradáveis. E, em alguns casos, quando a pessoa está muito debilitada, perigosos
A primeira pandemia de gripe do século 21  ocorreu em 2009: uma mutação significativa importante do vírus A (H1N1) permitiu sua rápida disseminação por todo o planeta. Ela levou a uma mobilização significativa das autoridades sanitárias para organizar uma vacinação em massa, indispensável para limitar os riscos de mortalidade de um vírus que já tinha matado, no começo do século 20, mais de 40 milhões de pessoas segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). O vírus mutante revelou-se finalmente pouco perigoso e os erros de gestão desta crise não tiveram grandes consequências. Por outro lado, eles deveriam conduzir a uma melhor intervenção durante a próxima - e inevitável - pandemia de gripe. 


http://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/295487/Pandemia-de-gripe-Ela-vem-a%C3%AD-%C3%A9-preciso-se-prevenir.htm

DRONES SOBRE A SAVANA