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CRIATIVIDADE



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ANALGÉSICOS VICIAM


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14.03.2017, 23:49

DEPENDÊNCIA DE REMÉDIOS CONTRA A DOR AUMENTA

Ainda pouco conhecida, a dependência de medicamentos existe e não diz respeito unicamente aos consumidores de estupefacientes em busca de produtos de acesso mais fácil e mais baratos. Para o medico Michel Mallaret, que responde a entrevista abaixo, é preciso reduzir imediatamente o uso de benzodiazepinas largamente consumidas como tranquilizantes.


Por Anne Prigent – Le Figaro Santé

Le Figaro – Quais são os medicamentos implicados nas situações de dependência medicamentosa?
Michel Mallaret* - A grande maioria dos medicamentos psicoativos (os que exercem uma ação sobre o cérebro e modulam a atividade psíquica) tem um potencial de adicção com intensidades diversas. O problema (estou falando mais especificamente da França, mas podemos estender o raciocínio ao resto do mundo desenvolvido), do consumo de benzodiazepinas como “tranquilizantes” e “soníferos”é conhecido há muito tempo, há décadas. Claro, os franceses não são mais os campeões desse consumo na Europa (estamos, agora, em segundo ou terceiro lugar nessa classificação), mas preconiza-se grandes esforços para reduzir esse uso excessivo. A duração do uso desses medicamentos deve ser temporária (4 semanas para um hipnótico, doze semanas para um ansiolítico) para se rediscutir, em seguida, com o próprio médico, a parada total – que deve ser a principal opção.
O uso dessas benzodiazepinas prescritas pelos médicos e vendidas nas farmácias comporta dois riscos diferentes: O primeiro e mais frequente é a diminuição dos seus efeitos ao longo do tempo associada a um risco de síndrome de abstinência, quando a pessoa interrompe o consumo de forma brutal e intempestiva, sem permissão e acompanhamento médico. Essa falta pode redundar em insônias temporárias ou acessos de angústia; mais raramente podem acontecer crises de epilepsia nessas pessoas, embora elas nunca tivessem manifestado síndromes epilépticas antes.
O segundo risco, após uma prescrição para tratar insônia ou ansiedade, é o abuso progressivo que se manifesta pelo aumento das doses diárias em busca de um prazer intenso, de um “barato”. Trata-se neste último caso de uma verdadeira adicção a medicamentos. Ela pode se referir a um paciente adicto a diferentes “drogas”e que descobre secundariamente essa possibilidade de abuso. Ela pode igualmente afetar a existência de uma pessoa comum que começou progressivamente a abusar e a tomar esse medicamento em doses excessivas, passando a correr o risco de provocar um acidente na rua ou manifestar até mesmo uma depressão respiratória potencialmente mortal. A adicção aos medicamentos de combate à dor, notadamente os derivados do ópio, ou opioides, aumenta progressivamente, de ano para ano, embora ainda não tenhamos atingido os altíssimos números norte-americanos.
Vocês controlam também outras classes de medicamentos?
Os treze centros de adicto-vigilância existentes na França, avaliam, graças ao trabalho de profissionais da saúde, todos os medicamentos que tenham, de maneira mais forte ou mais fraca, algum efeito sobre o cérebro (soníferos, tranquilizantes, analgésicos opiáceos, anti-histamínicos, etc). Nossa vigilância se estende a numerosos medicamentos que podem ter efeitos conhecidos ou desconhecidos sobre o cérebro. Estamos igualmente disponíveis para informar o grande público e os profissionais da saúde, para os aconselhar, avaliar com eles as adicções de medicamentos e de drogas e para informá-los a respeito dos possíveis tratamentos para as adicções.
Que fazer para sair de uma dependência?
As pessoas dependentes, que se tornaram adictas de alguma substância, em geral esperam muito para consultar os seus médicos e relatar o que está acontecendo. Com frequência, a primeira consulta médica só sucede após muitos anos de abuso e de adicção a algum medicamento! No entanto, não existe nenhuma vergonha no fato de se consultar um profissional médico a respeito, que respeitará o anonimato do paciente, como para qualquer outra consulta. Além disso, existem agora diferentes tratamentos medicamentosos, psicoterapêuticos e médico-sociais para a pessoa se livrar de uma adicção. Se o médico for um clínico geral, por exemplo, ele poderá recorrer a um especialista da adicção, um adictólogo, muito útil nos casos mais complexos. Essa especialidade médica é bastante recente, mas sua utilidade torna-se evidente diante da frequência, na França e em muitíssimos outros países, de adicções (álcool, cigarro, medicamentos, drogas) e suas consequência maiores em termos de saúde pública.
É grande, nos dias de hoje, o número de pessoas jovens que se drogam com medicamentos?
O exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos nos incita a uma grande vigilância: a entrada dos Estados Unidos na esfera da toxicomania dos derivados do ópio não começa pelo uso da heroína, mas sobretudo pelo uso de medicamentos opiáceos usados contra a dor, notadamente a oxicodona, que lá é muito mais facilmente acessível do que na França e no resto da Europa. O aumento do consumo de opiáceos na França deve-se ao fato de que eles são excelentes analgésicos, mas passar disso para o consumo abusivo revelou-se muito fácil. Os medicamentos podem se tornar grandes vetores para a entrada das pessoas na esfera da toxicomania, notadamente para os que seguem a moda norte-americana do “purple drank”que consiste em comprar medicamentos nas farmácias com o objetivo de alcançar algum “barato”ou para“alucinar”. Os que buscam esses efeitos ingerem enormes quantidades dos medicamentos, misturando-os entre si e com bebidas alcoólicas. Os jovens conseguem facilmente obter receitas deletérias dessas misturas nas páginas da Internet, mas não são suficientemente informados dos perigos que esses abusos acarretam.

*O médico Michel Mallaret é o atual vice-presidente da Comissão de Estupefacientes e Psicotrópicos da ANSM na França.


http://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/285031/Analg%C3%A9sicos-viciam-Depend%C3%AAncia-de-rem%C3%A9dios-contra-a-dor-aumenta.htm

NOVO PLANETA



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MAPA DA SAÚDE HUMANA


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20.04.2017, 01:14

GOOGLE SELECIONA DEZ MIL PESSOAS PARA CRIAR PLATAFORMA DIGITAL

Através do Baseline Study (Projeto Baseline) o Google vai compilar estatísticas sobre o humor, horas de sono, batimento cardíaco, audição, dieta, e movimento dos participantes. Milhares de voluntários já se apresentaram. Um dos objetivos do estudo é perceber a transição da saúde para a doença.



Por: Karla Pequenino
Fonte: Site https://www.publico.pt

O Google já reúne enorme massa de informação sobre a vida online dos seus utilizadores. Agora, quer acumular um histórico sobre a saúde das pessoas numa plataforma digital descrita como um "Google Maps, mas para a saúde". Para tal, lançou o Baseline Project. A missão é reunir dados suficientes para criar “um mapa e uma bússola que apontem o caminho para a prevenção de doenças.”
A primeira parte, porém, é arranjar pessoas para fazer parte deste mapa através de um estudo inicial de quatro anos. São necessárias cerca de dez mil pessoas, maiores de 18 anos, de diferentes faixas etárias, origens, e com históricos médicos de todo o mundo. Os interessados - que já começam a se apresentar nos escritórios do Google -, se escolhidos, terão de se encontrar pessoalmente com investigadores até quatro vezes por ano, testar novas aplicações e aparelhos tecnológicos para monitorizar a saúde, e preencher inquéritos e diários sobre o seu estilo de vida e saúde.

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O Baseline Study irá recolher e manipular uma imensa base de dados.

Pistas que os médicos ainda ignoram
A partir dos dados, o Google vai compilar estatísticas sobre o humor, horas de sono, batimento cardíaco, audição, dieta, e movimento dos participantes. Segundo a empresa, "toda a informação ficará armazenada numa base de dados encriptada com acesso restrito". O objectivo é analisar o processo que leva alguém saudável a ficar doente, para perceber se há pistas que os médicos ainda ignoram, sobretudo em casos de câncer e de problemas cardiovasculares.
“Atualmente, grande parte do que assistimos como médicos são pequenos momentos no tempo depois de o indivíduo ficar doente. Falta-nos muita informação útil sobre os anos antes da doença”, diz Sanjiv Sam Gambhir, diretor de radiologia da Universidade de Stanford, um dos parceiros do Google no estudo. “Ao nos focarmos na saúde de uma população ampla podemos ter um impacto significativo no bem-estar de pacientes em todo o mundo”.
Além da Universidade de Stanford, o Baseline Project também conta com a participação da Universidade de Duke, e da Verily uma empresa da dona do Google, a Alphabet. Na fase inicial do estudo, os participantes virão das duas universidades parceiras.

">Em escritório do Google nos Estados Unidos, voluntários já fazem fila para se inscrever no Baseline Study.  
Em escritório do Google nos Estados Unidos, voluntários já fazem fila para se inscrever no Baseline Study.  

Precisão de detalhe nunca antes vista
Segundo a diretora da Verily, Jessica Mega, o estudo vem da conclusão de que os avanços nas “áreas da ciência e tecnologia permitem caracterizar a saúde humana com uma precisão e detalhe nunca antes visto”. Não é a primeira vez que o Google investe na área da prevenção de doenças.
Além da Verily, a Alphabet também é dona da Calico, uma empresa focada nas áreas da saúde e do bem-estar e cujo propósito é combater o envelhecimento e doenças associadas.
Nancy Brown, diretora da American Heart Association diz, em comunicado, que o novo projecto do Google pode mudar o ângulo de abordagem de várias doenças: “O resultado deste estudo pode inspirar uma nova geração de ferramentas direccionadas à prevenção ao invés do diagnóstico e do tratamento”.


http://www.brasil247.com/pt/saude247/saude247/291289/Mapa-da-sa%C3%BAde-humana-Google-seleciona-dez-mil-pessoas-para-criar-plataforma-digital.htm